Série Origem

Esta série de esculturas parte de uma pergunta comum: Como a matéria pode guardar memória? Cada peça é construída como um corpo vertical , base, tronco, coroa que traduz em escultura um eixo cósmico presente em diferentes cosmologias afro-diaspóricas: A ligação entre céu e terra, entre o visível e o invisível, entre o que se vê e o que se escuta.

Os materiais não são apenas suporte, são linguagem. Búzios, ferro, cerâmica, fibras secas, couro, pedras e penas atravessam as obras como um vocabulário compartilhado cada elemento carrega função ritual antes de carregar forma: proteção, consulta, comunicação, potência. Reunidos, eles constroem corpos que não representam o sagrado, mas o convocam.

Sopro Ancestral abre a série como corpo-altar: fibras secas, couro, madeira, búzios e contas se organizam numa presença orgânica coroada por uma auréola vegetal. É a peça do gesto de feitura, da tecnologia artesanal como forma de transmissão e do sopro como força vital que anima a matéria.

Oráculos desloca o eixo para o silêncio e a escuta. Um corpo de ferro revestido por fileiras de búzios forma uma cortina ritual, um fluxo contínuo entre mundos. No topo, um altar de madeira esculpida recebe os búzios como sementes ou sinais a obra não fala, ela convida à consulta.

Bará: Guardião dos Caminhos encerra o conjunto com movimento e decisão. Sobre um corpo cerâmico entrelaçado, búzios, pedras e penas vermelhas constroem a imagem da encruzilhada o ponto onde caminhos se cruzam e escolhas se abrem. É a peça mais dinâmica da série, a que guarda e abre passagem ao mesmo tempo.

Juntas, as três obras funcionam como estações de um mesmo eixo ritual: feitura, escuta e caminho. Cada uma é autônoma, mas todas compartilham a mesma estrutura de pensamento o corpo escultórico como dispositivo de memória, e a matéria como forma de manter viva uma cosmologia que atravessa gerações.